No alvorecer do século XXXVI, a humanidade transcendeu os limites do conhecido, esculpindo seu destino entre estrelas, nebulosas e os silêncios impiedosos do cosmos.
O ano é 3525 D.C., e a Terra, outrora berço da civilização, agora divide seu legado com colônias orbitais, metrópoles interestelares e os segredos enterrados em mundos distantes.
Três séculos após a Grande Convergência Tecnológica — desencadeada pelos escombros da Terceira Guerra Mundial (2110-2120) —, a sociedade humana fragmentou-se em três realidades irreconciliáveis:
A história deste futuro nasceu das cinzas da Terceira Guerra Mundial, um conflito deflagrado pela Segunda Guerra Fria (2085-2110), que reduziu a população global a 17% e deixou continentes inteiros transformados em desertos radioativos.
Quando as potências colapsaram em 2120, uma aliança clandestina de cientistas exilados e sobreviventes deu origem à Renascença Astral, período em que tecnologias bélicas foram reformuladas para viabilizar a Dobra Espacial Quântica (DEQ).
A DEQ, estável apenas em rotas previamente mapeadas por sondas de inteligência artificial, tornou-se a espinha dorsal da expansão humana — e também sua maior prisão.
A Rede de Corredores Estelares, uma malha de rotas de dobra mantida pela corporação OmniPath, domina o comércio e a política intergaláctica.
Viajar fora dessas coordenadas é um risco reservado a loucos ou visionários: sem o mapeamento preciso, naves são despedaçadas por Vórtices de Einstein-Rosen ou desaparecem no Eco do Hipercaos, uma dimensão paralela onde o tempo se fragmenta.
A única exceção foi a lendária Expedição Kepler-452b, que utilizou um motor experimental, o Salto de Ícaro, para alcançar o "primo da Terra".
O sucesso custou a vida de 90% da tripulação e deixou para trás um enigma: os sobreviventes juraram ter ouvido "vozes" durante o salto.